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A discussão sobre o Novo Aeroporto de Lisboa "despenhou-se" É um titulo forte, mas não foge muito à realidade: a discussão sobre o Novo Aeroporto de Lisboa perdeu o controlo. Desde 1969 que se debate este tema, se bem que, a bem da verdade, a discussão séria só arrancou nos anos 90. Desde lá passámos por uma miríade de localizações: Rio Frio, Ota, Campo de Tiro de Alcochete, Montijo... tornou-se um tema absolutamente desgastante e que já toma contornos quase cómicos tal é o ponto a que chegou. Mas porquê e como é que chegámos a este ponto? Porque é que o país não consegue decidir e não se consegue comprometer com uma solução?  Comecemos pelo motivo talvez menos óbvio mas mais importante: a capacidade que o Aeroporto da Portela teve de ir aguentando o constante aumento da procura. Ao longo dos anos a Portela nunca chegou verdadeiramente ao seu limite, foi sempre possível ir aumentando a capacidade instalada no Aeroporto. Isto permitiu que a decisão sobre o novo aeroporto pudes...
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Pode o Montijo ser mesmo o Aeroporto principal de Lisboa? No dia 2 de Março, depois do anúncio do travão dado pela ANAC ao processo do novo aeroporto do Montijo, o Governo anunciou finalmente quais são as 3 soluções que serão analisadas na Avaliação Ambiental Estratégica exigida pelo Parlamento.  A hipótese de um novo aeroporto em Alcochete que substituísse completamente a Portela foi novamente posta em cima da mesa para ser comparada com a solução até aqui defendida pelo Governo e pela ANA de construir um aeroporto complementar no Montijo expandindo a capacidade do Humberto Delgado. No entanto, foi também posta em consideração uma outra solução até agora pouco discutida e desconhecida do grande público: a hipótese de gradualmente o Montijo se tornar o principal Aeroporto de Lisboa deixando a Portela numa posição mais secundária até ser totalmente desativada.  Mas será essa solução viável? Há espaço no Montijo para tal? É mais cara ou mais barata que as restantes? É isso que v...
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  Montijo: afinal o que se passou com a ANAC? Ontem os telejornais abriram com a notícia do parecer da Autoridade Nacional da Aviação Civil sobre o Aeroporto Complementar do Montijo. Em seguimento, não tardou a gerar-se um turbilhão de notícias e reações tanto do Governo como da ANA Aeroportos que podem ter baralhado os menos atentos. Senti, por isso, que devia escrever um artigo a explicar concretamente o que se passou ontem e o que vem a seguir.  Afinal de contas, o Montijo caiu de vez? Não. Aliás, o que vimos ontem foi uma mera formalidade. Já se sabia há bastante tempo que algumas câmaras afetadas pelo projeto do Aeroporto do Montijo se recusavam a dar o seu parecer positivo para deixar avançar o projeto. Sem esses pareceres positivos a ANAC não teve outra alternativa a não ser não avançar com a análise do projeto.  Isso quer dizer que o projeto do Aeroporto já não vai avançar? Mais uma vez, não. Este "chumbo" apenas significa que neste momento o projeto está parado ...
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  O Metro Ligeiro Odivelas-Loures: mais um erro? A chegada do Metropolitano de Lisboa a Loures é dos temas que se tema arrastado mais ao longo dos últimos anos, especialmente pelos críticos do projeto da Linha Circular. É uma reivindicação já antiga tanto de autarcas como populações. O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) recentemente apresentado pelo governo propõe uma solução para terminar de vez esta polémica: a construção de um metro ligeiro de superfície que ligue Odivelas a Loures passando pelo Hospital Beatriz Ângelo e pela estação de Metro (pesado) de Odivelas.  Estação de Metro de Odivelas Mas será esta a solução mais adequada? Que outras opções haveria? Ou faz sequer sentido que seja o Metro a servir Loures? É isso que vamos analisar neste artigo.  Em primeiro lugar há que referir que a ideia de implementar um Metro Ligeiro em Loures é relativamente recente. Nos últimos 10 a 15 anos, o debate sobre como servir melhor Odivelas e Loures com transporte pesado ...
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SATUO: O que correu mal e o que podemos fazer agora? O meu artigo de hoje é dedicado a um dos mais controversos projetos de transporte dos últimos 20 anos: o SATU Oeiras. O que é o SATUO? Porque é que não teve sucesso? O que podemos fazer para emendar o erro? Então antes de mais nada, o que é o SATUO? O SATUO foi um sistema automatizado de transporte urbano que operou no concelho de Oeiras entre o shopping Oeiras Parque e a estação ferroviária de Paço de Arcos entre 2004 e 2015. Era um sistema elevado, totalmente em viaduto, que consistia em várias cabines não tripuladas sobre carris tracionadas por um cabo. Tinha como grande objetivo ligar a Linha de Cascais à Linha de Sintra (na estação do Cacém) criando um eixo perpendicular a estas duas linhas ligando-as, levando transporte público pesado a zonas mais interiores do concelho de Oeiras. Tinha também como grande objetivo potenciar os dois grandes parques de escritórios que foram construídos no concelho durante os anos 90 e 2000: o Lag...
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A Estação Central de Lisboa: o debate esquecido Hoje, vou mesmo ao fundo do baú resgatar um debate que hoje em dia nos parece inexistente mas que há cerca de 10 anos estava na ordem do dia. Um debate alimentado pela implementação da Alta Velocidade em Portugal e que dividia a opinião de engenheiros e decisores políticos: a chamada, Estação Central de Lisboa. Mas primeiro, vamos recuar ainda mais no tempo.  A primeira grande estação a servir Lisboa foi Santa Apolónia (SA), inaugurada em 1865 no antigo Cais dos Soldados. Esta estação não foi, digamos, um enorme sucesso nos seus primeiros anos de operação por não estar muito próxima do centro da cidade (lembremo-nos que Lisboa era na altura uma cidade muito mais pequena do que é hoje). Mais tarde, em 1890, seria inaugurada uma estação muito mais central no coração da cidade, a Estação do Rossio. Esta estação passaria a concentrar serviços de longo curso para cidades como o Porto, tornando-se então a principal estação da capital. ...